novembro 14, 2008

Eleições nos EUA: Obama, o grande líder

Posted in Uncategorized às 1:58 am por Ramon Mendes

Saiba por que a eleição de Barack Obama como presidente dos EUA é histórica

  Segregação racial já foi regulada por lei nos Estados Unidos.
Senador negro foi eleito em 1875, mas direitos iguais vieram muito depois.

Barack Obama foi eleito nesta terça-feira (4) o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. O fato está sendo considerado histórico, por conta do passado de racismo do país.

 Muito antes de Obama ter sido eleito senador dos EUA, em 2004, e presidente, em 2008, o afro-americano Blanche Kelso Bruce conquistou uma vaga no Senado da nação em 1875, representando o estado do Mississippi.

No entanto, naquela época, a eleição de Obama ao comando do país era provavelmente algo inimaginável. “Suponho que a maioria não pensaria ser possível ter um negro na presidência, considerando que os afro-americanos eram linchados e não tinham acesso à terra ou à educação”, disse ao G1 por telefone Diane Batts Morrow, professora de Estudos Afro-Americanos da Universidade da Geórgia.

Isso porque, até menos de 50 anos atrás, os afro-americanos eram segregados por lei nos Estados Unidos.

A segregação racial nos EUA começou a ser legalizada por iniciativa de alguns estados, pouco após a abolição da escravidão, que ocorreu em 1865, com o fim da Guerra Civil Americana.

 

O ônibus de Montgomery

Mas iniciativas individuais de alguns cidadãos também foram decisivas para a igualdade racial. É o caso de Rosa Parks, uma costureira de Montgomery, Alabama, que ganhou projeção em 1955.

Naquele ano, ainda valia a separação de brancos e negros nos assentos dos ônibus do Alabama. Aos brancos estavam reservados os assentos da frente e, aos negros, os de trás. Se os assentos estivessem preenchidos e um branco entrasse no ônibus, o negro da fileira mais dianteira deveria levantar e ceder-lhe o lugar.

É o que deveria ter feito Rosa Parks, que voltava do trabalho num ônibus lotado. Mas ela se recusou a ceder o seu lugar a um branco. “Vou ter que mandar prendê-la”, respondeu o motorista do ônibus. “Então faça isso”, disse a costureira.

Na noite em que Parks foi presa, os movimentos de direito civil começaram a articular um boicote ao sistema de ônibus de Montgomery. O episódio teve tanta repercussão que, no ano seguinte, a corte do Alabama declarou inconstitucional a segregação racial nos meios de transporte

 

Reflexões sobre a eleição de Barack Obama

A eleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos da América, além de ser um marco significativo na história americana, tem repercussões que se estendem muito além do território americano. Obama representa um novo modelo de americano para o século 21 – multiracial, multicultural, consciente de sua cidadania global. Ele não é um negro como a maioria dos negros americanos. Eles são descendentes de escravos, Obama não. Filho de um negro africano orgulhoso do Quênia, e de uma americana branca não-convencional do Kansas, criado pela mãe na Indonésia e pelos avós brancos no Havaí, o seu perfil é incomum. Desde o seu discurso inspirador na convenção do Partido Democrata em 2004, ele tem me impressionado profundamente.

A choradeira pelo país afora é impressionante – pessoas de todas as camadas sociais, de todas as raças, demonstrando publicamente sua emoção ao presenciar um momento histórico que com certeza muitos jamais imaginaram que iriam presenciar em vida. É fácil compreender o que há por trás dessas lágrimas.

A Constituição dos EUA (1787) começa com o preâmbulo: “Nós, o Povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma União mais perfeita, estabelecer Justiça, assegurar Tranqüilidade interna, prover a defesa comum, promover o Bem-estar geral, e assegurar as bênçãos da Liberdade para nós e nossa Posteridade, ordenamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América”.

Nos primeiros 170 anos de existência dos EUA, esses ideais constitucionais eram válidos apenas para os brancos. Hoje, 40 anos e alguns meses após o assassinato de Martin Luther King, vemos um novo líder negro ser eleito presidente dos Estados Unidos.

O  momento mais impressionante após o anúncio da vitória aconteceu durante o discurso de Obama em Chicago. As câmeras de TV mostravam imagens da multidão – jovens e idosos, brancos, negros, hispânicos, e asiáticos, ricos e pobres – ouvindo o discurso. Uma das imagens mostrou a apresentadora de TV Oprah Winfrey, considerada a mulher mais poderosa na mídia americana. Multi-bilionária, politicamente ativa, ela tornou-se a “madrinha” da campanha de Obama logo no início, há apenas 2 anos atrás. Durante o discurso, ela estava no meio da multidão, em lágrimas.

As câmeras focalizaram o reverendo Jesse Jackson chorando no meio da multidão. Ele, que havia presenciado o assassinato do Dr. King, agora via um novo ícone negro que havia arrebatado os corações de milhões pelo mundo afora com um discurso inspirador e otimista, prestes a receber o manto de líder da mais antiga democracia das Américas, tornando-se assim um dos políticos mais poderosos do planeta. Dr. King havia eletrilizado gerações desde 1963 com o seu discurso “I have a dream” (“Tenho um sonho”).

Algo sem precedentes aconteceu nesse país por causa de Barack Obama. É improvável que o país inteiro tenha mudado, e não se sabe se a administração Obama será bem sucedida. No entanto, nas palavras de Milton Nascimento, podemos afirmar”. nada será como antes, amanhã.”

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agosto 22, 2008

Um outro olhar sobre o caso Isabella

Posted in Uncategorized às 8:59 am por Ramon Mendes

O dia 29 de março de 2008 sempre vai ser lembrado com muita tristeza por muitos brasileiros.

Na noite desse dia, a pequena Isabella, de apenas 5 anos, foi arremessada da janela do sexto andar do prédio onde residiam seu pai, Alexandre Nardoni e sua madrasta, Anna Carolina Jatobá e onde ela costumava passar os fins-de-semana.

A menina foi encontrada pelo porteiro caída na jardim do prédio em parada cardiorespiratória. A ambulância foi chamada a fim de salvar a garota, mas não obteve sucesso.

Os principais acusados de terem matado Isabella são o próprio pai e a madrasta, que afirmam que outra pessoa teria invadido o apartamento e feito tamanha crueldade.

Investigações sobre o caso levaram à conclusão de que antes e depois de a família (o casal ainda tinha dois filhos juntos) chegar ao apartamento, Anna Carolina teria agredido sua enteada, fazendo com que marcas de sangue ficassem como provas no chão do mesmo. Além disso, moradores teriam escutado barulhos de crianças gritando e chorando, momentos antes do crime.

A mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira não conseguiu dar declarações à imprensa durante um mês. Para ela, sua filha era tudo.

Não há como não se chocar com tal brutalidade. É muito emocionante ver uma criança que tinha a vida inteira pela frente ser morta desse jeito tão bárbaro.

Isabella Nardoni, pertencente a uma família de classe média alta, sempre teve tudo que quis, estudou em escola boa e parecia ser a filha perfeita. O caso foi destaque na mídia por muito tempo. Jornais, internet, noticiários…em toda forma de imprensa a manchete era sempre Isabella. Porém, quantas Isabellas não existem? Quantas crianças não são mortas ou, ao mínimo, torturadas pelos seus pais?

Dia 7 de julho de 2008 – na cidade de Gilbués, sul do Piauí, um pai matou o filho de cinco meses por não suportar seu choro, tentando justificar o crime argumentando que sofreu muito enquanto criança.

Dia 14 de agosto de 2007 – o ajudante geral Cosmo José dos Santos, de 49 anos, matou com um tiro na nuca o próprio filho, Rodrigo Alves dos Santos, de 14 anos. O caso ocorreu em Guarulhos, na grande São Paulo.

No dia 16 de setembro de 2005, uma mulher de 44 anos assassinou o filho de seis anos com golpes de paralelepípedo no rosto e 15 facadas em Ferraz de Vasconcelos (Grande SP).

Dia 18 de abril de 2005 – por ciúme do ex, mãe mata filho recém-nascido com uma agulha de costura no seu pulmão.

Dia 18 de maio de 2007 – uma adolescente de 17 anos assassinou o seu filho de apenas um ano e nove meses, porque o seu choro estava a impedindo que mantivesse relações sexuais com o namorado num matagal da cidade de São Félix do Seridó, no estado brasileiro da Paraíba. O menino foi estrangulado com um cordel.

 ‘‘D.R. esfaqueou e matou seus dois filhos de 6 e 5 anos, que assistiam à televisão, para receber o seguro de vida deles, atribuindo o crime a um assaltante’’(USA). ‘‘S.S. colocou seus filhos de 14 meses e 3 anos em um carro e atirou-o em um lago, para agradar o namorado, que não gostava de crianças’’. ‘‘Garoto de 4 anos, espancado constantemente por sua madrasta de 17 anos, morre na Ceilândia. Vizinha diz ter ouvido várias vezes o som da cabeça do menino batendo na parede. A madrasta obrigava o menino a lavar roupa, limpar a casa, colocar lixo para fora e recolher as fezes do cachorro. Por diversas vezes, o menino pediu ajuda a familiares e vizinhos, que telefonaram para a polícia sem resultado’’. ‘‘Pai embriagado deu um soco no olho da filha de 2 anos que havia lhe pedido um pedaço de pão e, como a garota chorava, matou-a, jogando-a contra a geladeira’’. ‘‘Pai dá dois tiros na própria filha para acabar com o namoro’’.. ‘‘M.N.L. matou dois filhos por achar que as crianças eram a encarnação de Satanás’’. ‘‘Em Magé, os pais sacrificaram o filho de 3 anos num ritual em homenagem a Exu’’.

Tantas histórias, tantos casos, tantos assassinatos. Muitos dos exemplos mostrados, nunca ninguém ouviu falar. Isso ocorre provavelmente pela classe social a que essas pessoas pertenciam. Na hora de divulgar casos como esses, a mídia seleciona aqueles que parecem ser uma família rica e perfeita. Aqueles que os mais pobres virão e pensarão que até nas melhores famílias existem problemas. Mas ao pararmos para pensar, são poucos que percebem que todos somos iguais. Se uma criança morre, não importa se ela é rica ou pobre, negra ou branca, e sim que é uma criança. Nenhuma dessas crianças teve culpa do que ocorreu. Nenhuma teve culpa por chorar e atrapalhar os pais.

Até que alguma coisa se faça nesse mundo, vamos ver muitas Isabellas por aí. Muitos Alexandres Nardoni e muitas Annas Carolina Jatobá. E é incrível como inúmeras pessoas não se importam. Tendo seus filhos e uma família “feliz” está tudo muito bom.  Enquanto “fingirmos” que nada acontece no seio da família brasileira, nada vai mudar no nosso país e no mundo. Claro que envolve vários fatores, e não podemos analisar isoladamente ou classificar todos os “acontecimentos” desse lamentável tipo, mas podemos afirmar que pais e mães capazes de matar o próprio filho existem, sustentando estatísticas de violência doméstica.

 

 

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